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12 horas na Virada Cultural 2010

Repórter da Folha Universitária relata sua visão pessoal do evento cultural mais importante da cidade de São Paulo

Por Renato Góes

Às 18h do sábado, dia 15/05, cheguei ao palco principal da Virada Cultural 2010, localizado na em frente à Sala Júlio Prestes. Para mim, a escolha do local foi um pouco surpreendente, já que em dias normais as ruas da região vivem cheias de viciados em crack. Mas aquele final de semana era de festa e havia muito policiamento no centro como um todo, o que deve ter obrigado a migração dos viciados para bairros mais afastados. No final das contas, a escolha se mostrou um grande acerto da produção da Virada, não só pela beleza do prédio que abriga a Osesp, mas também pela proximidade com as atrações da Estação e do Parque da Luz e dos palcos de música independente da Cásper Líbero, algo que tornou o trajeto bem agradável.

Depois da apresentação, que acabou por volta das 20h, tinha algumas horas até pegar o “Trem das Onze”, uma das atrações mais esperadas na Virada Cultural 2010. Aproveitei o tempo para dar uma circulada geral pelo evento. O que pude presenciar é que havia mais espaço entre as atrações, o que facilitava a circulação do público, mas deixava alguns espaços bem vazios. A Avenida Ipiranga, por exemplo, foi muito mal aproveitada. Talvez numa próxima edição seja tomado um maior cuidado nesses corredores. Uma boa solução seria abrir espaços para mais intervenções artísticas.

Depois de atravessar o centro paulistano voltei até a Estação da Luz para pegar o tal do “Trem das Onze”, uma justa homenagem ao centenário de Adoniran Barbosa. Não demorou muito para a fila ficar gigantesca, mas ainda consegui embarcar na primeira viagem, que se iniciou pontualmente às 23h. Durante o curto trajeto entre as estações Luz e Brás, alguns artistas circulavam pelos vagões do novo trem da CPTM interpretando algumas das principais composições do sambista paulistano. O público cantava junto. Assim que chegamos ao Brás, um palco montado na plataforma da estação reunia atores e músicos, num misto de apresentação teatral com show musical. Emoção garantida ao público. 30 minutos depois era hora de pegar o trem de volta à Luz.

A próxima atração na minha lista particular era o grupo norte-americano Living Colour, que também se apresentaria na Júlio Prestes. Até lá, uma pausa para comer um dos melhores pastéis da cidade de São Paulo, espalhados pelos quatro cantos do centro paulistano. Para acompanhar, nada melhor que uma garapa com limão bem gelada. Depois dessa breve parada, passei pelo Viaduto do Chá e apreciei de longe o Vale do Anhangabaú, onde ocorriam apresentações circenses. O destaque, pelo menos à distância, era uma réplica da estátua do bandeirante Borba Gato.

Palco principal na Praça Júlio Prestes


Já se aproximava às 3h quando retornei à Praça Júlio Prestes para conferir a apresentação do grupo Living Colour, que fez sucesso nos anos 90 com uma mistura de rock e jazz. O vocalista Corey Glover e o guitarrista Vernon Reid foram os principais destaques da vibrante apresentação. O primeiro por causa de seu carisma e, quando exigido, sua voz, que alternava do grave para o agudo sem desafinar. Já o segundo comprovou que ainda é um dos melhores guitarristas do mundo ao demonstrar toda sua técnica com o instrumento de seis cordas. O bom público presente foi á loucura com o show.
Eram quase seis da manhã e o pouco de força que ainda restava se foi para a última caminhada dessa maratona de 12 horas. O último destino era o Pátio do Colégio, onde acontecia a projeção visual do grupo Visual Farm. Nas paredes do prédio erguido pelo Padre Anchieta eram projetadas imagens referentes à história brasileira com desenhos de Rugendas e Debret. O sol já ameaçava nascer e o corpo a padecer de tanto cansaço. Era mais do que hora de partir. Até a Virada Cultural do ano que vem.

 
 
 
 
O cubano Barbarito Torres mostra toda sua técnica
   

Á espera do "Trem das Onze"
 

Homenagem a Adoniran Barbosa no trem da CPTM
   
   
   

 

O guitarrista Vernon Reid e o vocalista Corey Glover do grupo Living Colour

 
Projeções no Pátio do colégio