Sucessos na internet: duas histórias políticas
A blogueira Yoani Sánchez e o presidente americano Barack Obama inovaram na rede mundial de computadores
Por Manuel Marques
No Brasil, conforme mostramos na reportagem de capa da Folha Universitária desta semana, inúmeras pessoas tiveram a vida radicalmente mudada com o advento da internet. Fora do solo tupiniquim, o caso mais famoso é o da blogueira cubana Yoani Sánchez, que faz uso da internet pra se manifestar contra o regime de Fidel Castro. O blog, intitulado Generación Y, foi eleito como um dos 25 melhores do mundo pela revista americana Time. A autora já recebeu diversos prêmios, entre eles o Ortega y Gasset de Jornalismo, na Espanha.
O blog a projetou de tal forma que, numa entrevista ao programa Sem Fronteiras, da Globossat, Yoani Sánchez contou que em 6 de novembro do ano passado foi detida durante quase meia hora e espancada por um grupo de homens para impedir que ela chegasse a uma manifestação pública. No blog, ela acusou autoridades de segurança que a teriam espancado por criticar o governo de Raúl Castro. A reação foi automática: pessoas do mundo inteiro se solidarizaram com ela, entre eles o presidente norte-americano Barack Obama, que até lhe concedeu uma entrevista. Ela disse ao Sem Fronteiras que o sucesso do blog lhe garante segurança porque os olhos do mundo estão, de certa forma, voltados para ela. Ou seja, se tranformou numa estrela política.
No caso dos norte-americanos, o destino de uma nação praticamente foi decidido graças ao competente uso dessa importante ferramenta. Falo da eleição do presidente Barack Obama, que usou a rede, como diria o nosso presidente Lula, de uma maneira “nunca antes na história daquele país”. |
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Ambas as campanhas dos candidatos a presidência dos EUA inundaram a Internet com todo o tipo de material, mas a de Obama montou diferentes métodos de comunicação para cada grupo. Com os mais jovens, por exemplo, eles fizeram uso das mensagens de texto. Para os mais velhos, enviaram e-mails curtos e concisos.
Outro fato que descobriram: quando um eleitor navegava por algum dos sites da campanha, um cookie era colocado no seu navegador. Esse cookie podia identificar os tipos de sites foram antes visitados, ajudando o conteúdo a ser apresentado de acordo com as preferências deste eleitor. O grupo de Obama fez uma campanha para cada indivíduo. E pasme leitor, o bom aproveitamento da internet ajudou a reduzir os custos de sua campanha. Claro que milhões foram gastos nos sites oficiais e na rede social MyBarackObama.com, mas grande parte dos esforços online foram de custos muito baixos, alguns até gratuitos.
Usando algo que os especialistas chamam de plataformas abertas como o Facebook, MySpace e o YouTube, eles se comunicaram com os mais jovens de uma maneira nunca antes efetuada na política com custos extremamente baixos e resultados que muito melhores do que os das mídias tradicionais. O resultado nós conhecemos: Obama foi eleito presidente com a participação maciça do eleitor americano. |
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