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Entrevista

Muito além da Magda

A atriz Marisa Orth está em cartaz no Teatro Jaraguá com a peça O Inferno Sou Eu, em que interpreta a filósofa francesa Simone De Beauvoir . Na segunda parte da entrevista, concedida à Folha Universitária na edição 423, ela fala de seu personagem mais famoso da TV, a Magda de Sai de Baixo.

Por Manuel Marques

F.U – Marisa, você ficou imortalizada na TV interpretando a personagem Magda, no seriado Sai de Baixo. Essa personagem de persegue?
M.O – Você gostava da Magda?

F.U - Só eu não, o Brasil inteiro. Até o José Simão gosta dessa personagem. Sempre que o locutor Galvão Bueno dá uma deslizada o Macaco Simão o chama de “Magdo Bueno”.
M.O – (rindo, quase gargalhando) Que bom que você gostava. Eu adoro quando o Macaco Simão faz essas coisas porque Magda se transformou em adjetivo e acho isso uma honra. (rindo mais ainda) Magda é um personagem tão forte que tem gente que não acredita que eu não seja a Magda. Tem gente que fala assim: ‘nossa, você é tão inteligente’. Claro, vindo da Magda qualquer coisa que eu fale parece inteligente. Essa personagem pra mim foi um prazer, um grande presente.

F.U – Em Toma lá dá cá você fez comédia também, mas parece que não teve o mesmo efeito de Sai de Baixo.
M.O – É, não pegou tanto, né? Eu não tinha uma personagem tão caricata quanto a Magda. Não marcou tanto. Mas arte é assim mesmo, três anos está bom demais. O legal de ser ator é que você pode viver muitos personagens. Posso ser Napoleão, Cleópatra...

F.U – E que personagens, desses que você interpretou, lhe deu mais prazer em representar?
M.O – Muitas. Magda é um deles. Simone está entrando no rol. Maralu Venezes, a mulher de Fica Comigo Esta Noite, que fiz duas vezes, e Nicinha, aquela virgem que virou biscate e foi meu primeiro papel na televisão.

F.U – Há muita diferença entre o público de teatro e o público da televisão?
M.O – A diferença é numérica. Não dá pra definir público de televisão. É muito grande, tem desde a classe A à classe Z.  Se, com meu nome de televisão, eu conseguir trazer gente para o teatro vou achar o máximo.

F.U – Poucas vezes ouvi falar de uma atriz tão polivalente quanto você. Parece que você fez de tudo, e fez bem. Onde encontra tanta energia pra trabalhar tanto e sempre se mostrar tão disposta?
M.O – Senso de humor ajuda bastante. Eu encontro forças na vontade de ser amada. Hoje me sinto amada cada vez mais. É gostoso saber que eu vou a um lugar e tenho amigos. Eu sinto muito mais carinho, afeto e respeito do público. E isto vale muito mais, é maravilhoso.